Introdução
O aquecimento global, frequentemente usado de forma intercambiável com o
termo alterações climáticas, refere-se ao aquecimento de longo prazo do sistema
climático da Terra observado desde o período pré-industrial. Este aquecimento é
principalmente impulsionado pelas actividades humanas sobretudo a queima de
combustíveis fósseis que aumentam a concentração de gases com efeito de estufa
na atmosfera. Embora o termo possa sugerir um fenómeno singular, a sua
complexidade resulta de uma variedade de mecanismos interactivos, amplamente
categorizados em forçamentos naturais e forçamentos antropogénicos
(causados pelo homem). Em Dezembro de 2025, o consenso científico continua a
afirmar que pelo menos dez factores principais contribuem para o aumento das
temperaturas globais, cada um com origens e impactos distintos.
Factores Naturais de
Variabilidade Climática
Os processos naturais sempre influenciaram o clima da Terra, produzindo
ciclos de aquecimento e arrefecimento ao longo de escalas geológicas. Embora actualmente
estejam ofuscados pela influência humana, estes factores são essenciais para
compreender a dinâmica climática de base.
Variabilidade
Solar
A energia emitida pelo Sol flutua ligeiramente ao longo do tempo. Embora
os ciclos solares afectem o clima terrestre, os dados de satélite recentes
confirmam que as alterações na irradiância solar no último século são demasiado
pequenas para explicar o rápido aquecimento observado desde meados do século
XX.
Actividade
Vulcânica
Grandes erupções vulcânicas libertam aerossóis como o dióxido de enxofre
na estratosfera, reflectindo a luz solar e causando arrefecimento temporário.
Contudo, estes efeitos duram apenas um a três anos e não compensam o
aquecimento de longo prazo causado pelos gases com efeito de estufa.
Variações Orbitais (Ciclos de
Milankovitch)
Estes ciclos envolvem alterações na órbita e na inclinação axial da
Terra ao longo de dezenas de milhares de anos, influenciando períodos glaciais
e interglaciares. Embora cruciais para mudanças climáticas de longo prazo,
operam demasiado lentamente para explicar o aquecimento acelerado das últimas
décadas.
Factores Antropogénicos do
Aquecimento Acelerado
A tendência actual de aquecimento é esmagadoramente atribuída às actividades
humanas. Estes factores introduzem gases com efeito de estufa potentes e
alteram os padrões de uso do solo, intensificando o efeito de estufa natural e
perturbando a estabilidade climática.
Emissões de Dióxido de Carbono
de Combustíveis Fósseis
O contributo mais significativo para o aquecimento global. A queima de
carvão, petróleo e gás natural liberta enormes quantidades de CO₂, que se
acumulam na atmosfera e retêm calor. Em 2025, os níveis globais de CO₂
atingiram máximos históricos, apesar da crescente adopção de energias
renováveis na União Europeia e em Portugal.
Emissões de Metano
O metano (CH₄) é 80 vezes mais potente do que o CO₂ num período de 20
anos. As suas fontes incluem a pecuária, o cultivo de arroz, a decomposição em
aterros e a extracção de combustíveis fósseis. Em 2025, a monitorização por
satélite identificou novos pontos críticos de metano associados ao degelo do
permafrost.
Emissões
de Óxido Nitroso
O óxido nitroso (N₂O) resulta do uso de fertilizantes à base de azoto e
de processos industriais. O seu potencial de aquecimento é quase 300 vezes
superior ao do CO₂ num século. A intensificação agrícola continua a impulsionar
o seu aumento global.
Desflorestação e Alterações no
Uso do Solo
A perda de florestas liberta carbono armazenado e reduz a capacidade da
Terra de absorver CO₂. Em 2025, a desflorestação em regiões tropicais permanece
uma preocupação, apesar dos esforços de reflorestação na União Europeia e em
Portugal, onde políticas de ordenamento florestal têm reforçado a resiliência
climática.
Gases Fluorados Industriais
(F-gases)
Compostos sintéticos como HFCs, PFCs e SF₆ possuem potenciais de
aquecimento extremamente elevados. Embora emitidos em menores quantidades, a
sua persistência e potência tornam-nos alvos críticos em acordos climáticos
internacionais.
Aerossóis da Poluição (Efeitos
de Aquecimento e Arrefecimento)
A poluição liberta aerossóis com efeitos distintos em que os sulfatos reflectem
a luz solar (arrefecimento), enquanto o carbono negro a absorve (aquecimento).
Em 2025, regulamentos ambientais mais rigorosos na UE e em Macau reduziram
emissões de sulfatos, removendo um amortecedor temporário de arrefecimento.
Depleção da Camada de Ozono
(Efeito Indirecto)
Embora a depleção da camada de ozono aumente a exposição a radiação UV,
os CFCs responsáveis são também gases com efeito de estufa poderosos. Os seus
efeitos persistem, mesmo após esforços globais de eliminação.
Compreender
o Efeito Combinado
Estes dez factores raramente actuam isoladamente. Por exemplo, a actividade
industrial liberta simultaneamente CO₂ e aerossóis, criando efeitos
concorrentes de aquecimento e arrefecimento. Alterações no uso do solo
amplificam o aquecimento através da libertação de carbono e da modificação da reflectividade
da superfície. Em 2025, os modelos climáticos da União Europeia e de Macau
incorporam cada vez mais estas interacções para melhorar previsões e orientar
políticas.
Conclusão
O aquecimento global é um fenómeno multifacetado moldado tanto pela variabilidade
natural como pela intervenção humana. Os factores naturais, como os ciclos
solares e orbitais, fornecem contexto de longo prazo, mas o aquecimento rápido
e mensurável do último século está decisivamente ligado a factores
antropogénicos especialmente às emissões de gases com efeito de estufa
provenientes da queima de combustíveis fósseis. Reconhecer os papéis distintos
destes dez factores é essencial para desenvolver estratégias eficazes de
mitigação e adaptação. Em Dezembro de 2025, a urgência de uma acção global
coordenada é mais clara do que nunca.
A União Europeia, Portugal e Macau exemplificam diferentes dimensões
desta resposta em que a UE lidera em políticas de transição energética e
neutralidade carbónica; Portugal reforça a sua aposta em energias renováveis e
reflorestação; e Macau, como região altamente urbanizada, enfrenta o desafio de
reduzir emissões ligadas ao transporte e ao turismo, integrando-se em
estratégias regionais de sustentabilidade.
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