Introdução
Entre os dias 10 e 21 de Novembro de 2025, a
cidade de Belém, capital do estado do Pará, no Brasil, acolherá a 30.ª
Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações
Climáticas (COP30). Este encontro, considerado um dos mais significativos da
última década, reunirá líderes políticos, representantes da sociedade civil,
cientistas, empresários e activistas de todo o mundo com o propósito de
acelerar a implementação dos compromissos climáticos assumidos nas conferências
anteriores e de delinear estratégias concretas para enfrentar a crise ambiental
que ameaça a estabilidade planetária. A escolha de Belém como sede da COP30 não
foi meramente simbólica. Situada na região amazónica, a cidade representa o
coração de um dos ecossistemas mais vitais para a regulação climática global.
Ao trazer a conferência para a Amazónia, o Brasil procurou colocar a floresta
tropical no centro das decisões políticas e económicas que moldarão o futuro da
humanidade.
Contexto e Expectativas
A COP30 decorrerá num momento particularmente
crítico. Os dois anos que antecederam o evento foram marcados por recordes
históricos de temperatura, aumento da frequência e intensidade de fenómenos
climáticos extremos, e uma crescente pressão sobre os sistemas naturais e
sociais. A comunidade internacional chegou a Belém com a consciência de que o
tempo para agir está a esgotar-se e que a década de 2020 será decisiva para
evitar o colapso climático.
Entre os principais objectivos da conferência
destacaram-se:
·
A revisão
dos planos climáticos nacionais (NDCs), com vista ao alinhamento com a
meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
·
A mobilização
de financiamento climático, com a meta ambiciosa de US$ 1,3 biliões
anuais até 2035.
·
A aprovação
de indicadores de adaptação, que permitam avaliar a eficácia das
políticas implementadas.
·
A promoção
de uma transição energética justa, com foco na triplicação da
capacidade de energias renováveis e na redução gradual dos combustíveis
fósseis.
Estrutura e Temas da Conferência
A COP30 foi organizada em torno de Dias
Temáticos, cada um dedicado a áreas estratégicas da acção climática.
Esta abordagem permitirá uma articulação mais eficaz entre os debates técnicos,
as negociações diplomáticas e as propostas da sociedade civil.
1. Adaptação, Cidades e Infra-estruturas
Nos primeiros dias, os participantes discutirão
formas de tornar as cidades mais resilientes face aos impactos das alterações
climáticas. Serão apresentados projectos de infra-estrutura verde, sistemas de
gestão hídrica e modelos de urbanismo sustentável. A adaptação deixou de ser
vista como uma resposta passiva e passou a integrar estratégias proactivas de
planeamento territorial.
2. Saúde, Educação e Justiça
Climática
A interligação entre clima e saúde será amplamente
debatida, com destaque para os efeitos das ondas de calor, da poluição
atmosférica e da insegurança alimentar. A educação ambiental foi apontada como
ferramenta essencial para a transformação cultural necessária à transição
ecológica. A justiça climática emergiu como eixo transversal, exigindo que as
políticas públicas considerem as desigualdades históricas e os direitos das
populações mais vulneráveis.
3. Energia, Indústria e
Transporte
Este segmento concentra-se na descarbonização dos
sectores produtivos. Serão discutidas soluções como o hidrogénio verde, a electrificação
dos transportes, a eficiência energética e os mercados de carbono. A transição
energética será apresentada como oportunidade de inovação, geração de emprego e
redistribuição económica.
4. Florestas, Oceanos e
Biodiversidade
A Amazónia está no centro das atenções. O Brasil
lançou um fundo de preservação florestal com potencial para mobilizar US$ 4 mil
milhões por ano, beneficiando países com grandes áreas de floresta tropical. A
biodiversidade será tratada como infra-estrutura vital, e os conhecimentos
tradicionais dos povos indígenas serão valorizados como parte integrante das
soluções climáticas.
Negociações e Compromissos
Durante a conferência, os Estados-membros da
UNFCCC apresentarão actualizações dos seus compromissos nacionais. Alguns
países anunciarão metas mais ambiciosas de neutralidade carbónica, enquanto
outros reforçarão os seus planos de adaptação. O debate sobre o financiamento
climático será particularmente intenso, com destaque para o fundo de
“perdas e danos”, destinado a apoiar países afectados por desastres climáticos.
A presidência brasileira da COP30, liderada pelo embaixador André Corrêa do
Lago, procurará imprimir um ritmo mais pragmático às negociações, privilegiando
a implementação sobre a retórica. Serão aprovados 30 Objetivos-Chave
para a Implementação, que servirão de referência para os próximos
ciclos de avaliação.
Participação da Sociedade Civil
A COP30 distinguir-se-á pela forte presença da
sociedade civil. Organizações não-governamentais, movimentos juvenis,
comunidades tradicionais e representantes do sector privado participarão activamente
nos debates, propondo soluções concretas e exigindo maior ambição política. As Zonas
Azul e Verde funcionarão como espaços complementares sendo a primeira
dedicada às negociações formais, e a segunda à partilha de experiências,
inovação e diálogo intercultural. A diversidade de vozes e perspectivas será um
dos pontos altos da conferência, reforçando a ideia de que a acção climática
deve ser inclusiva e colaborativa.
Desafios e Perspectivas
Apesar dos avanços, a COP30 deixa claro que os
desafios são imensos. A implementação dos compromissos depende de vontade
política, capacidade técnica e financiamento adequado. A transição ecológica
exige mudanças profundas nos modelos económicos, nos padrões de consumo e nas
estruturas de poder.
Entre os principais desafios destacam-se:
·
A monitorização
eficaz dos compromissos assumidos, com indicadores claros e mecanismos
de responsabilização.
·
A coordenação
entre níveis de governo, garantindo que as políticas nacionais se
traduzam em acções locais.
·
A integração
da ciência e do conhecimento tradicional, promovendo soluções
adaptadas às realidades específicas.
·
A mobilização
de recursos financeiros, especialmente para os países em
desenvolvimento.
Conclusão
A COP30 em Belém representa um ponto de viragem na
luta contra as alterações climáticas. Ao colocar a Amazónia no centro das
decisões globais, a conferência reafirma a urgência de proteger os ecossistemas
vitais e de promover uma transição justa e inclusiva. Mais do que uma reunião
diplomática, é um apelo à acção concreta, à solidariedade internacional e à
coragem política. O futuro dependerá da capacidade colectiva de transformar
compromissos em realidade, de reconciliar desenvolvimento com sustentabilidade,
e de reconhecer que a crise climática é, acima de tudo, uma questão de justiça.
Belém é o palco onde o mundo se olha ao espelho e resta saber se terá coragem
para mudar.
A COP31, prevista para 2026, ainda não tem local e data oficialmente
definidos. A disputa pela sede está entre a Austrália e a Turquia, e a decisão
poderá ser anunciada durante a COP30 em Belém.
Situação
actual da COP31
· Ano previsto: 2026
·
Grupo regional responsável
pela escolha: Europa
Ocidental e Outros (WEOG)
· Candidaturas em disputa:
o
Austrália, propondo uma conferência em parceria com
países do Pacífico, com foco na transição energética e nos desafios das nações
insulares.
o
Turquia, propondo a cidade de Antalya,
destacando a sua localização estratégica entre Europa e Ásia e a experiência em
eventos internacionais.
Impasse
diplomático
·
A
escolha exige consenso unânime entre os 28 países do grupo WEOG, o que
ainda não foi alcançado.
·
A
ONU, através do secretário executivo Simon Stiell, tem pressionado por uma
decisão rápida, alertando que o atraso compromete os preparativos logísticos e
diplomáticos da conferência.
Expectativa
·
A
definição da sede poderá ocorrer durante ou imediatamente após a COP30 em Belém,
caso haja acordo entre os países membros.
·
A
Austrália afirma já ter o apoio da maioria dos membros do grupo, mas a Turquia
mantém firme a sua candidatura.








